Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação

APRESENTAÇÃO

A demanda dos povos e comunidades residentes no interior ou entorno das Unidades de Conservação-UC federais por desenvolver atividades de turismo, ou inserir-se efetivamente nas ações de visitação realizadas ou previstas para essas áreas protegidas, aumentou significativamente nos últimos anos. Em dados do Sistema de Análise e Monitoramento de Gestão (SAMGe), de 2018, o Turismo de Base Comunitária (TBC), modelo de gestão do turismo fundamentado no protagonismo das comunidades, aparece em 72 unidades de conservação federais. Por sua vez, no Plano Anual de Capacitação (PAC), de 2019, o TBC surge como o 15° colocado nas demandas de capacitação dos servidores do Instituto.


JUSTIFICATIVA

Do ponto de vista do incremento da visitação pública nas UC federais, o TBC tem um nicho diferenciado de mercado, pois atrai um público interessado em vivenciar paisagens conservadas, mas também histórias, saberes e conhecimentos dos povos locais, contribuindo para que as UC sejam reconhecidas pela sociedade como relevantes para a salvaguarda do patrimônio ambiental e histórico-cultural. Há, nesse sentido, um potencial significativo para atrair mais público e, também, para enriquecer a experiência dos visitantes, já que podemos trabalhar a questão ambiental articulando as dimensões naturais, socioculturais e políticas do território.

Mas pensar o TBC significa não apenas proporcionar uma experiência de qualidade ao visitante: melhorar a qualidade de vida das comunidades locais – por meio da geração de renda, educação, fortalecimento das organizações comunitárias e valorização da cultura desses grupos sociais – é um dos cernes da atividade. O TBC, muito além de representar uma fonte de renda adicional às famílias, tem sido visto como uma oportunidade desses grupos sociais contarem a sua própria história e de comunicarem à sociedade a sua importância na conservação da biodiversidade. A atividade pode significar, ainda, uma oportunidade para a fixação dos jovens e uma estratégia para que as comunidades possam gerir, a partir de seus próprios mecanismos, a crescente procura turística que vem ocorrendo em parte desses territórios.

Além de todas essas potencialidades do TBC, lembramos que a atividade é, também, uma forma de aproximar positivamente esses grupos sociais da gestão das áreas naturais protegidas, com resultados diretos à conservação dos recursos naturais.

No entanto, a atividade não está imune de uma série de impactos negativos. Assim, para que as potencialidades do TBC se consolidem, é necessário promover um maiordiálogo e integração entre os diferentes atores envolvidos e com experiência na atividade: comunidades, ICMBio, representantes de órgãos governamentais e não governamentais, academia e instituições de pesquisa (em suas diferentes áreas de conhecimento), operadoras de turismo, entre outros.

No ano de 2018 um avanço significativo na agenda de TBC foi o lançamento da Chamada de propostas para fortalecimento de iniciativas de Turismo de Base Comunitária, ação coordenada pela Coordenação Geral de Populações Tradicionais-CGPT/DISAT, com apoio da CGEUP e com recursos do Projeto PNUD BRA 08/023. A ação – que apoiou a consolidação de nove projetos de TBC nas UC federais – teve como objetivo gerar conhecimento institucional para a elaboração de um referencial metodológico para a atividade. Os aprendizados obtidos a partir da execução desses projetos foram, então, sistematizados no material Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação Federais: Caderno de Experiência (que também contou com mais quatro experiências de UC não contempladas na Chamada). Cabe destacar, que essa Chamada também permitiu qualificar parte da demanda de TBC existente nas UC federais e identificar lacunas de conhecimento na abordagem do tema, fornecendo subsídios importantes para definir as necessidades de capacitação dos servidores do Instituto nessa agenda. Nesse contexto, com o intuito de proceder ao fechamento e avaliação dos projetos aprovados no âmbito da Chamada de Propostas para Fortalecimento de Iniciativas de Turismo de Base Comunitária, é que propomos a realização da Oficina de Avaliação de Projetos de Turismo de Base Comunitária. O evento, cabe destacar, prevê o nivelamento de conceitos balizadores do TBC e a discussão de questões identificadas como lacunas de conhecimento nos projetos aprovados, além de ter como intuito articular uma rede colaborativa de servidores, comunitários e parceiros para a agenda de TBC. A base para a discussão será o caderno de experiências, que está sendo alimentado a partir dos aprendizados dos projetos aprovados no âmbito da respectiva Chamada, pretendendo ser um referencial metodológico para o tema.

OBJETIVO

O objetivo da Oficina é realizar um fechamento de projetos aprovados no âmbito da Chamada de Propostas para Fortalecimento de Iniciativas de Turismo de Base Comunitária, ação que apoiou nove projetos de turismo de base comunitária (TBC) em unidades de conservação federais. O evento, cabe destacar, prevê o nivelamento de conceitos balizadores do TBC e a discussão de questões identificadas como lacunas de conhecimento nessa agenda, além de ter como intuito articular uma rede colaborativa de servidores, comunitários e parceiros para o TBC. A base para a discussão será o material caderno de experiências, que está sendo alimentado a partir dos aprendizados de treze iniciativas de TBC em UC federais, pretendendo ser um referencial metodológico para o tema.


PÚBLICO-ALVO

Servidores do ICMBio, comunitários e demais atores sociais (instituições parceiras, órgãos governamentais, etc.) envolvidos nas iniciativas de Turismo de Base Comunitária em Unidades de Conservação.


CARGA HORÁRIA

40 horas/aula


PERÍODO DE REALIZAÇÃO

25 a 30 de junho de 2019


LOCAL DE REALIZAÇÃO

CEPENE - Tamandaré, Pernambuco


Última atualização: terça, 4 Fev 2020, 11:07